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Publicado em: 13/02/2025 | Atualizado em: 13/02/2025

Cientistas brasileiros descobrem potencial de remédio para artrite contra o Parkinson

Marina Verjovsky

Claudia Figueiredo (à esq.) e Júlia Clarke: as pesquisadoras contam com o apoio da FAPERJ para a realização de seus estudos sobre medicamento que tem potencial como terapia para a Doença de Parkinson  (Fotos: Divulgação)  

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriram que um medicamento utilizado no tratamento da artrite reumatoide, abatacept, pode desempenhar um papel crucial contra a Doença de Parkinson. O medicamento consegue impedir seletivamente uma reação imunológica no cérebro dos pacientes, freando o avanço da doença e até restaurando funções motoras em estudos com animais. O trabalho, apoiado pela FAPERJ, explora novos mecanismos para o tratamento dessa condição neurodegenerativa e foi publicado na Molecular Psychiatry, uma das principais revistas científicas da área. 

A líder do estudo, Claudia Figueiredo, que é professora da Faculdade de Farmácia da UFRJ e foi contemplada pelo programa Cientista do Nosso Estado, da Fundação, explica que na Doença de Parkinson há o acúmulo de aglomerados de uma proteína no cérebro, chamada de α-sinucleína. Em condições normais, ela ajuda na comunicação entre os neurônios. No Parkinson, esses aglomerados são reconhecidos como estranhos, o que provoca uma enxurrada de células do sistema imune ao cérebro. Incapazes de desfazer as placas de proteínas, o sistema imune acaba prejudicando ainda mais o funcionamento dos neurônios, levando-os à morte e causando os sintomas típicos da doença, como tremores e rigidez muscular.

No entanto, a equipe descobriu que não é qualquer tipo de célula de defesa que chega ao cérebro. “Usando um modelo da doença, no qual animais têm esses aglomerados de proteína adicionados ao cérebro, nós vimos que o cérebro dos animais ficou cheio de um tipo específico de células imunes, conhecidas como ‘T auxiliares’. Elas não atacam diretamente os corpos estranhos, em vez disso, liberam sinais químicos inflamatórios para ativar outras células imunológicas”, descreve Claudia. “Foi assim que pensamos em testar o medicamento abatacept, pois apesar de ser uma droga usada no controle de artrite reumatoide, diminui seletivamente essas células T auxiliares.”

A líder do estudo, Claudia Figueiredo (à dir.), na companhia de Giselle Passos (atrás) e Yraima Cordeiro, que ofereceram contribuição importante à pesquisa que busca uma alternativa terapêutica para os pacientes com Parkinson

A primeira autora do estudo, Júlia Clarke, que desenvolve seu trabalho com apoio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, e é professora do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, comemora os resultados promissores. “O tratamento com abatacept não apenas reduziu a quantidade de células T auxiliares no cérebro, como atuou diretamente nos subtipos que mais produzem toxinas inflamatórias”, ressalta. “Vimos que houve uma proteção dos neurônios, com melhora significativa na função motora nos animais tratados.”

As pesquisadoras acreditam que o medicamento tem grande potencial como terapia para a Doença de Parkinson, oferecendo uma nova esperança para os pacientes. “O reposicionamento de fármacos, ao utilizar substâncias com perfis de segurança já estabelecidos, pode acelerar significativamente as novas abordagens de tratamento em pacientes”, ressalta Claudia. “Além disso, ao entendermos melhor como o sistema imune afeta diretamente o avanço da doença, também possibilitamos ampliar as fronteiras de estudo para outras terapias cada vez mais direcionadas.”

O estudo também contou com a participação essencial das professoras Yraima Cordeiro (Cientista do Nosso Estado da FAPERJ) e Giselle Passos, ambas da Faculdade de Farmácia da UFRJ. A pesquisa recebeu financiamento da FAPERJ, além de outras agências, como CNPq. As pesquisadoras ressaltam também o importante apoio recebido das redes do Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (Cenabio/UFRJ) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Inovação em Medicamentos e Identificação de Novos Alvos Terapêuticos (INCT-Inovamed).

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