Linguagem Libras Facebook X Intagram YouTube Linkedin Site antigo
logomarca da FAPERJ
Compartilhar no FaceBook Tweetar Compartilhar no Linkedin Compartilhar no Whatsapp Compartilhar no Email Imprimir
Publicado em: 09/04/2026 | Atualizado em: 09/04/2026

Pesquisa no IDOR analisa riscos cardiovasculares em pacientes que tiveram câncer de mama

Débora Motta

Estudo realizado no IDOR analisou os mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares associados ao aumento dos riscos cardiovasculares em mulheres que receberam tratamento quimioterápico a longo prazo (Foto: Freepik)

Um estudo desenvolvido no Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) investiga os efeitos da quimioterapia a longo prazo para o sistema cardiovascular de mulheres que sobreviveram ao câncer de mama, especialmente como ela impacta o controle do sistema nervoso autônomo e a função vascular. A pesquisa, orientada por Allan Kluser, coordenador do Laboratório de Controle CardioNeuroVascular e professor no Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas do instituto, foi conduzida por João Izaias e colegas e ganhou visibilidade com a recente publicação, em março, de artigo na renomada revista científica internacional Journal of the American Heart Association. Kluser realiza suas atividades com apoio da FAPERJ, por meio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado.

O projeto, que foi tema do doutorado de João Izaias, hoje no pós-doutorado em Ciências Médicas no IDOR, investiga os mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares associados ao aumento dos riscos de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em mulheres que receberam tratamento quimioterápico à base de doxorrubicina e trastuzumabe. Para isso, os pesquisadores examinaram e compararam dois grupos de pacientes, de 45 a 55 anos, recrutadas do Sistema Único de Saúde (SUS) e avaliadas no laboratório: um grupo de 23 sobreviventes ao câncer de mama, que finalizaram a quimioterapia há pelo menos oito anos, e o grupo controle, de 18 mulheres saudáveis e que nunca tiveram tumores.

Allan Kluser (à esq.) e João Izaias: pesquisadores observaram intolerância ao exercício físico e sobrecarga no sistema nervoso simpático, entre outras condições que ajudam a explicar o risco aumentado para doenças cardiovasculares nas pacientes investigadas (Fotos: Divulgação)

“Observamos que, nas pacientes que sobreviveram ao câncer de mama, houve uma sobrecarga do sistema nervoso simpático, responsável por preparar o corpo para situações de estresse, luta ou fuga; e disfunção vascular, isto é, alterações no sistema circulatório que precedem a formação da aterosclerose e que podem fazer o paciente infartar. Também observamos intolerância ao exercício físico, com falta de ar e fadiga associadas à realização de atividades físicas, e alterações subclínicas na função cardíaca, que não indicam de fato uma disfunção, mas já são uma pré-condição que pode levar à alteração cardíaca no futuro”, disse Kluser.

Os pesquisadores também encontraram alterações em diversos fatores no meio circulante sanguíneo desse grupo de pacientes. “Observamos estresse oxidativo aumentado, biodisponibilidade de óxido nítrico diminuída e aumento em vesículas extracelulares derivadas de células endoteliais, o que funciona como um marcador, ajudando a indicar a ativação endotelial, e alterações em diversos metabólitos sistêmicos”, detalhou. “Nós também fizemos experimentos ex vivo (fora do corpo humano, em ambientes laboratoriais controlados), envolvendo cultura de células endoteliais para investigar mecanismos moleculares relatados para a disfunção vascular verificada in vivo, ou seja, no paciente. Essas condições juntas podem ajudar a explicar, pelo menos em parte, o risco aumentado de desenvolvimento de doenças cardiovasculares nesse grupo populacional”, completou Allan Kluser.

Equipe de pesquisadores do IDOR, após apresentação de trabalho no 44º Congresso da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo: a partir da esq., Gabrielly Mel, João Izaias, Camila Nunes, Allan Kluser, Artur Sales, Bruna Ono, Thais Rodrigues e Maria Fernanda (Foto: Divulgação)  

Ele contou que hoje, na literatura médica, sabe-se que pacientes sobreviventes ao câncer de mama apresentam um risco aumentado de desenvolver doenças cardiovasculares, mas havia poucas informações detalhadas sobre os mecanismos moleculares associados a essa fisiologia. “Por isso, decidimos nos debruçar sobre esse tema. O objetivo foi avaliar sobreviventes de câncer de mama a longo prazo, para saber porque eles apresentam riscos cardiovasculares aumentados. Partindo dessa perspectiva, estudamos os detalhes dos mecanismos fisiológicos, moleculares e celulares”, justificou.

Um dos testes realizados pela equipe foi a microneurografia, um método considerado pelos pesquisadores como referência – ou seja, o teste “padrão ouro” para medir a atividade neural simpática. “O Laboratório de Controle CardioNeuroVascular do IDOR, até onde eu tenho conhecimento, é um dos poucos lugares do Rio de Janeiro onde esse exame está sendo realizado quase que diariamente. Fomos o primeiro grupo de pesquisa no mundo, de que se tem notícia, a demonstrar que uma sessão de quimioterapia já é capaz de aumentar a atividade do sistema nervoso simpático”, destacou Kluser.

Topo da página