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Publicado em: 30/04/2026 | Atualizado em: 30/04/2026

Academia Brasileira de Ciências dá início às comemorações pelos seus 110 anos

Débora Motta e Marcos Patricio

Mesa de abertura do início das festividades pelos 110 anos da ABC: a partir da esq., o presidente da ANM, Antonio Egidio Nardi; a presidente da ABC, Helena Nader; a presidente da SBPC, Francilene Procópio; a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela; a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho; e o físico e ex-presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira (Foto: Mário Marques/Divulgação ABC)

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) deu início às comemorações pelos seus 110 anos, em evento realizado em sua sede, no Centro do Rio de Janeiro, na terça-feira, 28 de abril. Na ocasião, foi apresentado ao público o portal do Centro de Memória da ABC – José Murilo de Carvalho, desenvolvido em parceria com o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast). O projeto contou com recursos do Programa de Apoio às Academias Nacionais Sediadas no Estado do Rio de Janeiro, lançado pela FAPERJ em 2023. Na abertura da cerimônia, a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, adiantou que será lançada uma nova edição do edital.

Durante o evento, também foi realizada a palestra “Os 110 Anos da Academia Brasileira de Ciências”, proferida pelo físico e acadêmico Ildeu de Castro Moreira, a primeira da série de seminários “ABC 110 anos: Legado e Futuro”, que terá outras edições até o fim de abril de 2027, quando serão encerradas as celebrações pelo aniversário da Academia.

A mesa de abertura do evento contou com as presenças da presidente da ABC, Helena Nader; da diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela; da presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Denise Pires de Carvalho; da presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Procópio Garcia; do presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Antonio Egidio Nardi; e do palestrante convidado, Ildeu de Castro Moreira, ex-presidente da SBPC.

Ao participar da cerimônia, a diretora da FAPERJ lembrou que as academias têm projetos importantes a serem desenvolvidos e necessitam de reformas em suas sedes. Por conta disso, Eliete adiantou que a Fundação irá lançar uma nova edição do Programa de Apoio às Academias Nacionais Sediadas no Estado do Rio de Janeiro. “Vamos lançar um edital um pouco mais encorpado e eu espero que isso seja um passo que se repita ao longo dos anos. O edital já foi aprovado no Conselho Superior da Fundação”, disse.

Eliete Bouskela: diretora da FAPERJ adiantou que a Fundação deve lançar, em breve, uma nova edição do Programa de Apoio às Academias Nacionais Sediadas no Estado do Rio de Janeiro (Foto: Mário Marques/Divulgação ABC)

À frente da Academia Nacional de Medicina (ANM) no biênio 2024/2025, tendo sido a primeira mulher a presidir a instituição em 200 anos, Eliete destacou a relevância das academias no momento atual. “Hoje, no mundo em que nós vivemos, as academias são ainda mais importantes do que eram em um mundo que tinha um pouco mais de racionalidade. Temos hoje mais importância do que nós tínhamos antigamente”, afirmou a diretora, que representou a presidente da Fundação, Caroline Alves, que não pôde participar do evento.

O presidente da Academia Nacional de Medicina, Antonio Egidio Nardi, destacou o papel exercido pelas academias e enfatizou a relevância do Centro de Memória da ABC – José Murilo de Carvalho. “Tão importante quanto promover o futuro, é preservar a memória. A Academia Brasileira de Ciências tem sido a guardiã da história da ciência brasileira. Uma história feita de desafios, descobertas e, sobretudo, de homens e mulheres que dedicaram toda vida à construção do saber. Essa memória não é apenas um registro do passado, mas uma fonte de inspiração para o presente e um alicerce para o futuro”, afirmou Nardi.

A presidente da SBPC, Francilene Garcia, enalteceu a trajetória da ABC. “A história da Academia Brasileira de Ciências tem um papel importante do ponto de vista das instituições nacionais porque, lá atrás, sem constituição a favor, sem Capes, sem CNPq, conseguiu vislumbrar, no lugar de país que o Brasil tem no mundo, a necessidade da presença da ciência brasileira atuante e as suas conexões com os problemas que enfrentamos ao longo da nossa existência, atuando não só no campo da ciência, mas buscando também melhorar o ambiente institucional do nosso País. Tanto é que, pouco mais de três décadas depois, nasce ali a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, com acadêmicos presentes”, recordou Francilene.

A presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Denise Pires de Carvalho, traçou um panorama do sistema nacional de pós-graduação e reforçou a importância da Capes, e das agências de fomento à pesquisa, para a formação de recursos humanos no País. “Cerca de 40% dos pós-graduandos no Brasil recebem bolsas da Capes, que exerce um papel fundamental em um país onde o acesso à graduação e à pós-graduação ainda é restrito. O número de brasileiros graduados com nível superior é de cerca de 20% da população, e apenas 4,2% possuem pós-graduação, com forte concentração na região Sudeste. No Nordeste, nem 15% da população é graduada”, contextualizou Denise, que foi reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) de 2019 a 2023.

O auditório da Academia de Ciências recebeu nomes de destaque que atuam em instituiçoes de ensino e pesquisa sediadas, principalmente, no estado do Rio de Janeiro, onde a entidade tem sua sede, na abertura das comemorações pelos 110 anos de fundação da Academia (Foto: Mário Marques/Divulgação ABC)

Primeira mulher a presidir a ABC, Helena Nader lançou durante a cerimônia o documento Manifesto dos 110 anos da Academia Brasileira de Ciências, que reafirma o compromisso histórico da instituição com o desenvolvimento científico nacional. “Ao longo de mais de um século, a ciência brasileira consolidou instituições, formou recursos humanos altamente qualificados e produziu contribuições relevantes para o avanço da ciência mundial e para a solução de desafios nacionais nas áreas da saúde, da agricultura, da energia, do meio ambiente, da indústria e da educação. A Academia Brasileira de Ciências participou ativamente desse percurso, afirmando a ciência como elemento estratégico para a soberania e o desenvolvimento nacional. Celebrar 110 anos é, sobretudo, renovar compromissos. Em um mundo marcado por rápidas transformações tecnológicas, emergências climáticas, desafios sanitários globais e profundas desigualdades sociais, torna-se cada vez mais evidente que sociedades que investem em ciência, educação e inovação estão mais preparadas para construir futuros sustentáveis e inclusivos”, destacou.

Doutor em Física pela UFRJ e referência na área de Divulgação Científica, Ildeu de Castro Moreira apresentou uma linha do tempo da história institucional, destacando a atuação da ABC junto à sociedade brasileira desde a sua fundação, em 1916, ainda com o nome Sociedade Brasileira de Sciencias. “Entre os fatos históricos que marcaram os primórdios da ABC estão a criação da Rádio Sociedade, liderada pelos acadêmicos Henrique Morize e Roquette-Pinto, que funcionava dentro da sede da ABC, em 1923; e a visita dos físicos Einstein e Marie Curie, que se tornaram membros correspondentes da Academia brasileira, em 1925 e em 1926, respectivamente. Apesar de ter ganhado o Prêmio Nobel, Marie Curie nunca foi aceita como membro na Academia Francesa de Ciências”, lembrou. “Depois, os anos de 1946 a 1964, quando se deu a institucionalização das agências de fomento federais à pesquisa e outras instituições científicas, também foram marcados pela atuação da ABC, que foi porta-voz da comunidade científica para a posterior criação do Ministério da Ciência, em 1985”, completou.

Ciência e história: lançamento do site do Centro de Memória da ABC

Depois da palestra de abertura do ciclo de seminários, houve o lançamento do site do Centro de Memória da Academia Brasileira de Ciências – José Murilo de Carvalho (https://memoria.abc.org.br/). O portal permitirá o acesso público ao acervo documental da ABC, que inclui registros em papel, como atas, correspondências, publicações, impressos, manuscritos, dossiês e pastas com documentação dos acadêmicos vivos e falecidos, e uma variedade de documentos oficiais, além de gravações de entrevistas, conferências, palestras e atividades realizadas com personalidades das áreas da ciência, tecnologia e educação do País.

Interface do site do Centro de Memória da ABC: acervo virtual reúne documentos preservados, catalogados e digitalizados que revelam a trajetória da Academia e o desenvolvimento da ciência no País desde 1916 (Foto: Marcos Patricio)

Coordenadora do projeto e membro da ABC, a química Maria Vargas destacou a importância do financiamento da FAPERJ, que possibilitou a primeira etapa da digitalização do vasto acervo documental e iconográfico da Academia. O projeto conta com a parceria de profissionais e pesquisadores do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) e de alunos estagiários e pesquisadores da área de História da Universidade Federal Fluminense (UFF).

“O acervo da ABC, localizado na antiga biblioteca na Rua Araújo Porto Alegre, reúne arquivos produzidos desde a criação da Academia, em 1916, em diversos suportes, no papel e em formato eletrônico, além de objetos iconográficos. Entre as etapas do projeto, realizamos o levantamento, a organização, recuperação, higienização e catalogação desses documentos, e a digitalização e produção do inventário, que estará disponível em maio na plataforma Zenith do Mast, com acesso livre e gratuito”, resumiu Maria.

O chefe do Arquivo de História da Ciência do Mast, Everaldo Pereira Frade, detalhou a dimensão do trabalho. “Para fazer o inventário documental, tivemos que ler obrigatoriamente 90 mil páginas de documentos, e digitalizamos 60 mil páginas”, contou. “Só no Mast, temos 22 arquivos pessoais de pesquisadores que foram membros da ABC, incluindo o acervo de Henrique Morize. São registros da Academia que contam a história da ciência no Brasil desde a segunda década do século XX”, concluiu.

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