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Publicado em: 18/06/2026 | Atualizado em: 02/07/2026

Estudo investiga os caminhos para o tratamento da osteoartrite

Débora Motta

O coordenador do estudo, Robson da Costa, e Suelen Pereira, segunda autora do artigo publicado pelos pesquisadores na revista científica internacional Osteoarthritis and cartilage, no LabNec/UFRJ (Foto: Divulgação)

A osteoartrite é uma doença degenerativa crônica que causa o desgaste progressivo da cartilagem que reveste as articulações. Afeta principalmente joelhos, quadris, mãos e coluna, provocando dor mecânica, rigidez e limitação de movimentos, especialmente em idosos e pessoas obesas. Apesar dos avanços da Medicina, os tratamentos farmacológicos atualmente disponíveis apresentam eficácia limitada, e nem sempre proporcionam alívio adequado para a dor. Investigando os caminhos para o tratamento desta doença, o pesquisador Robson da Costa, da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estuda como regular os mecanismos neurais relacionados à sensação de dor em condições crônicas, como nos pacientes com osteoartrite.

No Laboratório de Neurofarmacologia e Comportamento (LabNec/UFRJ), ele conseguiu, em testes com modelo animal, reduzir a atividade de um canal iônico presente em neurônios sensoriais envolvidos na transmissão da dor. Trata-se do canal TRPM3 (Receptor de Potencial Transitório Melastatina 3), envolvido na sinalização da sensação de dor. "Um dos principais achados do estudo foi demonstrar que a remoção seletiva do TRPM3 nos neurônios sensoriais foi suficiente para impedir o desenvolvimento da dor associada à osteoartrite. Além disso, antagonistas seletivos desse canal foram capazes de reverter a dor já estabelecida nos modelos experimentais. Em conjunto, os resultados identificam o TRPM3 como um importante mediador da dor articular e um promissor alvo terapêutico para o tratamento da osteoartrite", contou o pesquisador

"O bloqueio deste canal, que funciona como um canal iônico que permite a entrada de íons nas células nervosas, contribuindo para a geração de sinais associados à dor, pode representar uma estratégia promissora para aliviar a dor associada à osteoartrite", completou Robson, que vem desenvolvendo seu trabalho com apoio da FAPERJ, por meio dos editais Jovem Cientista do Nosso Estado e Auxílio Básico à Pesquisa (APQ1).

Esquema ilustra o processo bioquímico de sinalização da dor por meio do canal iônico TRPM3, nas terminações dos neurônios, tema do estudo desenvolvido no LabNec/UFRJ (clique aqui para ampliar a imagem)

Os compostos utilizados na pesquisa foram a ononetina e a isosakuranetina, moléculas experimentais capazes de bloquear a atividade do canal TRPM3. O estudo resultou na recente publicação de um artigo na revista científica internacional Osteoarthritis and cartilage, especializada na área de Ortopedia e Reumatologia. “Foi importante ter esse reconhecimento. Essa é uma das principais revistas da área de osteoartrite, com fator de impacto nove”, destacou Costa.

O artigo, intitulado Transient Receptor Potential Melastatin 3 ion channel expressed in sensory neurons mediates osteoarthritis pain in mice, pode ser lido na íntegra aqui. Além de Robson da Costa, assinam o trabalho os pesquisadores: Suelen Pereira; Clive Gentry; Fabiana C. Dias; Bianca de Lima Almeida; Margot Maurer; Laura I. Primicheru; Lio Moreira; Stefanie Mannebach; Petra Weissgerber; Stephan E. Philipp; David A. Andersson e Stuart Bevan.

Farmacêutico, Costa começou a estudar a questão da dor e dos canais TRP ainda na época em que foi bolsista de Iniciação Científica, em 2004, na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde concluiu a graduação e o Doutorado. Posteriormente, aprofundou essas investigações durante seu período como pesquisador visitante no King's College London, onde foi bolsista Newton International Fellow, entre 2017 e 2018, e teve a oportunidade de investigar especificamente o comportamento do canal TRPM3.

Costa afirma que o estudo demonstra que a inibição seletiva desse canal reduziu significativamente comportamentos relacionados à dor em modelos experimentais de osteoartrite, apontando para uma estratégia inovadora, e tem um potencial translacional, ou seja, abre possibilidades de gerar aplicações com impactos diretos para a sociedade. “Esses achados ampliam o conhecimento sobre os mecanismos biológicos envolvidos na dor crônica e podem contribuir futuramente para o desenvolvimento de terapias mais eficazes, beneficiando milhões de pacientes afetados pela osteoartrite”, concluiu.

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