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Publicado em: 03/06/2026 | Atualizado em: 03/06/2026

Meninas na robótica: projeto incentiva presença feminina nas áreas tecnológicas

Claudia Jurberg

Rafaelli Coutinho, coordenadora do projeto e professora no Cefet/RJ, destaca a importância de despertar, entre as meninas, vocações profissionais para a área de Robótica (Fotos: Divulgação)

Imagine poder desfrutar de uma lixeira ultrassônica, projetada por sua filha, que abre a tampa automaticamente ao detectar a aproximação da mão. E já pensou em implantar em casa uma horta com irrigação automatizada que une tecnologia e sustentabilidade também projetada e instalada por sua filha?

Esses são apenas dois dos miniprojetos direcionados especialmente para meninas interessadas pelas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática. Os miniprojetos são ensinados em oficinas oferecidas entre as atividades do projeto Meninas na Robótica, do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ), campus Nova Iguaçu. A iniciativa é apoiada pelo edital Meninas e Mulheres nas Ciências Exatas e da Terra, Engenharias e Computação da FAPERJ.

De acordo com dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o percentual de mulheres graduadas em Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM) no Ensino Superior no Brasil era de 37%.

Dentro da perspectiva da divisão sexual do trabalho, dados mostram uma presença ainda reduzida das mulheres nessas áreas. Além disso, mulheres costumam receber salários menores do que homens e têm maior probabilidade de sofrer discriminação de gênero.

O percentual das mulheres na ativa e nas áreas de STEM vem aumentando aos poucos, mas ainda representa uma proporção bastante desfavorável. Vale destacar que 50% da população mundial é composta por mulheres e meninas.

Desconstrução da ideologia patriarcal

Diante disso, incentivar meninas para as áreas das Ciências Exatas é essencial para melhorar esse índice e contribuir para a desconstrução de uma ideologia patriarcal que ainda interdita, mesmo em níveis simbólicos, a atuação das mulheres em determinados campos laborais.

A ideia do projeto, coordenado pela professora Rafaelli de Carvalho Coutinho, do Departamento de Engenharia de Controle e Automação do Cefet/RJ, é atuar no combate e na prevenção à discriminação e à falta de representatividade feminina nas áreas tecnológicas. "Por isso, resolvemos promover a participação, o incentivo e a formação de estudantes, especialmente meninas do segundo segmento do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e do Ensino Médio, em conhecimentos básicos de robótica e programação. O foco é no empoderamento feminino em escolas públicas da Educação Básica na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Desde 2019, já conseguimos beneficiar cerca de 500 alunos, em 11 escolas", explica Coutinho.

Para além do ambiente da sala de aula, as ações elaboradas potencializam o desenvolvimento individual das estudantes a partir de uma proposta de aprendizagem baseada em projetos pequenos e simples de robótica.

Além de dialogar com um conhecimento técnico, há a reflexão e a potencialização de mensagens sobre o contexto do empoderamento feminino na ciência, a fim de incentivar o ingresso de meninas na área.

Projeto motiva o interesse das estudantes pelas carreiras tecnológicas, como Engenharia e Ciência da Computação, e ajuda a integrar o ecossistema de inovação e empreendedorismo do Cefet/RJ

Rafaelli Coutinho explica que durante a participação em capacitações formativas são apresentados às alunas temas relevantes como violência de gênero, assédio, relações étnico-raciais, saúde sexual e reprodutiva. "Estas temáticas são consideradas fundamentais para refletir sobre a condição das mulheres na sociedade, permitindo que as jovens confrontem suas concepções iniciais, ampliem seu repertório de informações e se posicionem de forma mais qualificada diante de situações presentes no cotidiano social", afirma.

Tecnologia aplicada ao cotidiano

Coutinho conta que, além da lixeira ultrassônica e da horta automatizada, foram elaboradas outras atividades. "Uma delas utiliza sensores para demonstrar como a tecnologia pode ser aplicada no dia a dia para garantir a saúde das plantas, evitando tanto a seca quanto o excesso de água no solo. Dentro do universo da robótica, também criamos atividades para a montagem de um carrinho ultrassônico, demonstrando como a tecnologia pode ser aplicada à mobilidade inteligente. Outra proposta foi a criação de um carrinho controlado por bluetooth", explica.

Ela ainda conta sobre uma outra iniciativa implantada que foi a criação de um ventilador. Nesse caso, o objetivo é mostrar como funcionam os circuitos elétricos simples e a conversão de energia elétrica em movimento, por meio de um motor que aciona a hélice do equipamento. "Com a implantação dessas atividades, percebemos melhorias no aprendizado e na mitigação de dificuldades relacionadas à concentração, ao pensamento analítico e ao planejamento de tarefas no cotidiano dessas jovens adolescentes", conta.

Formação e impacto social

Além de despertar o interesse das estudantes por cursos como Engenharia de Controle e Automação, Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção, Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Sistemas de Informação, o projeto desenvolvido no Cefet/RJ integra o ecossistema de inovação e empreendedorismo do campus.

O projeto teve origem na equipe de robótica do campus Nova Iguaçu do Cefet/RJ, a Bodetronic. E o principal objetivo foi aplicar a robótica em projetos que dialoguem com a sociedade e causem impacto social. "Completando 10 anos de existência em 2026, nosso projeto tem um exitoso histórico de financiamentos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pela FAPERJ", comenta.

Atualmente, a iniciativa, que conta ainda com a participação de Carla Romão, Cristiano Carvalho, Fabrício Lopes e Silva e Thiga de Moura Prego, tem o apoio de ambas as agências de fomento e, até 2027, espera expandir suas ações, levando iniciativas de inclusão, formação técnica e impacto social para além da Baixada Fluminense, chegando também à Região Serrana e à cidade do Rio de Janeiro.

"Lugar de meninas e mulheres é onde elas quiserem. Precisamos desmistificar que áreas como as das Ciências Exatas sejam uma espécie de reserva de mercado para eles (meninos e homens) e incentivar todas aquelas que também tenham interesse", conclui Rafaelli Coutinho.

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