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| A equipe de Radioterapia do Instituto Estadual do Cérebro faz os ajustes finais para iniciar a utilização do acelerador linear. A expecativa dos profissionais é atender, em média, 40 novos pacientes a cada mês, além daqueles que já estiverem em tratamento (Fotos: Marcos Patricio) |
Marcos Patricio
O Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer vai agilizar o atendimento de pacientes oncológicos do Rio de Janeiro. O IECPN inaugura nesta sexta-feira, 26 de junho, às 10h, um acelerador linear que será utilizado em radiocirurgias e em sessões de radioterapia. A expectativa é reduzir o tempo de espera para tratamento e ampliar as chances de recuperação. De última geração, o equipamento foi adquirido com recursos do edital Apoio às Fronteiras da Ciência e Inovação – Infraestrutura Multiusuária, da FAPERJ.
A cerimônia de inauguração contará com as presenças do diretor do IECPN, o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho; do secretário de estado de Saúde do Rio de Janeiro, Ronaldo Damião; e da presidente da FAPERJ, Caroline Alves, entre outros convidados. Localizado no Centro da cidade do Rio de Janeiro, o Instituto, criado em 2013, integra a rede estadual e atende pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
O acelerador linear é um dos pilares para o tratamento de tumores e, no caso dos pacientes do IECPN, dos tumores cerebrais. As neoplasias (tumores) benignas ou malignas podem ser tratadas de três formas diferentes: por meio de cirurgia, quando é feita a retirada mecânica do tumor; por quimioterapia, através de drogas venosas ou comprimidos utilizados para frear ou tentar eliminar o crescimento do tumor; e/ou por radioterapia, que tenta controlar o crescimento ou destruir o tumor através de radiação ionizante. A radioterapia é feita com o uso do acelerador linear ou de um outro aparelho, o Gamma Knife, que trata o paciente por meio de partículas de cobalto.
“Cada equipamento tem a sua indicação. O Gamma Knife é um aparelho bem específico para tratar algumas condições. Às vezes, até mais tumores benignos do que malígnos, de uma forma muito pontual e muito específica. Mas ele tem uma limitação: ele não consegue tratar áreas maiores, tumores maiores ou os tumores primários do cérebro. Com acelerador linear, por sua vez, que é muito maleável, a gente consegue tratar desde uma coisa muito precisa, milimétrica, até tumores de 10 centímetros. Com ele, vamos ampliar muito a gama dos pacientes que serão tratados aqui”, explica o radio-oncologista, Felipe Erlich, médico do Instituto Estadual do Cérebro.
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| Felipe Erlich: para o radio-oncologista do IECPN (de pé), a instalação do acelerador linear trará mais do que agilidade ao tratamento e resultará em maior qualidade no atendimento oferecido aos pacientes |
Com a instalação do novo equipamento, a equipe do IECPN vai agilizar o atendimento dos pacientes, que agora poderão fazer as sessões de radioterapia no próprio instituto, tão logo seja recomendável, de acordo com cada caso. Antes, sempre que havia indicação de radioterapia com um acelerador linear, os pacientes eram enviados para a Central de Regulação, e tinham que aguardar o encaminhamento para as clínicas que atendem o SUS. Como o tempo é um fator crucial, a possibilidade de antecipar as sessões de radioterapia trará um ganho importante. O tratamento radioterápico é feito por frações. De acordo com a necessidade do paciente, ele pode fazer apenas uma única aplicação, ou cinco, ou dez sessões. Quantas forem necessárias. A expectativa da equipe do IECPN é de que sejam atendidos, em média, 40 novos pacientes a cada mês.
“Antes o paciente era operado, poderia fazer quimioterapia aqui no Instituto, mas se fosse necessário fazer radioterapia com acelerador linear ele tinha que fazer fora. Isso poderia trazer uma perda não só de agilidade e de tempo, mas também de qualidade de tratamento. Agora, com o tratamento unificado no mesmo local, a gente consegue ter acesso a todo histórico do paciente, consegue conversar com o neurocirurgião, com o oncologista clínico, com patologista, com toda a equipe envolvida. Faltava a radioterapia nesse fluxo. Com a inauguração do acelerador linear, vamos poder tratar o paciente de uma forma integral. A situação dele será discutida nas reuniões clínicas multidisciplinares por todos os atores envolvidos, que vão tomar as decisões e tratar o paciente da melhor maneira possível”, explica Erlich.
Em meio ao tratamento dos pacientes, a equipe do IECPN utilizará o acelerador linear para fazer estudos e ensaios clínicos. Assim, além de ser usado com fins terapêuticos, o novo equipamento contribuirá também para a realização de pesquisas, que poderão aprimorar ainda mais os tratamentos oferecidos na unidade.