Marcos Patricio e Paula Guatimosim
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| Inauguração do acelerador linear no Instituto do Cérebro Paulo Niemeyer reuniu autoridades, gestores e dirigentes da área acadêmica e da Saúde (Foto: Guilherme Madureira) |
O Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer (IECPN) inaugurou nesta sexta-feira, 26 de junho, o primeiro acelerador linear do País. Considerado “estado da arte” na oncologia, o equipamento adquirido com recursos do edital Apoio às Fronteiras da Ciência e Inovação – Infraestrutura Multiusuária, da FAPERJ, vai agilizar o atendimento de pacientes oncológicos tanto na realização de radiocirurgias como em sessões de radioterapia. A estimativa é de que sejam atendidos 40 pacientes por mês, no mínimo, reduzindo o tempo de espera e aumentando as chances de recuperação. O evento contou com a presença de diversas autoridades, incluindo o governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto.
O acelerador linear integra o Centro de Radioterapia Marcelo Reis, uma homenagem ao neurocirurgião pioneiro na radiocirurgia e referência nacional na área, falecido em 2025. O equipamento representa um importante avanço para a assistência à saúde, para a pesquisa científica e para a inovação tecnológica no estado do Rio de Janeiro, fortalecendo o atendimento especializado e contribuindo para a consolidação do Rio de Janeiro como referência nacional em ciência na área da saúde.
Um vídeo institucional de apresentação do acelerador linear destacou o fato de que a população do Rio de Janeiro atendida pelo SUS passará a ser tratada pelo que representa o ‘estado da arte’ da Oncologia, colocando o Rio de Janeiro na vanguarda dos serviços de Oncologia no Brasil.
O diretor do Instituto do Cérebro, Paulo Niemeyer, destacou a “parceria incansável” da FAPERJ com o IECPN. O neurocirurgião explicou que o Instituto do Cérebro é um hospital estadual voltado exclusivamente para cirurgias cerebrais e somente para pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Ali, são realizadas 10 cirurgias por dia, chegando a mais de duas mil por ano. Com o novo equipamento, mais 40 pacientes serão atendidos por mês. O Instituto também agrega a área acadêmica, dando oportunidade a residentes, pós-graduandos, mestrandos e doutorandos, promovendo a formação de novos cirurgiões. Niemeyer também justificou a homenagem ao neurocirurgião Marcelo Reis, representado pela família, não só devido a sua importância no cenário nacional, mas como “um parceiro único e insubstituível, que nos deixou órfãos da sua amizade e da sua competência”, segundo ele.
“Hoje, celebramos um investimento estratégico na estrutura da saúde, da ciência e da inovação. A entrega do acelerador linear no Instituto do Cérebro, viabilizada por meio de edital da FAPERJ, demonstra que o investimento em pesquisa também é uma assistência de complexidade, inovação e tecnologia na qualidade de vida”, disse Caroline Alves, presidente da FAPERJ. Segundo ela, o equipamento amplia a capacidade do SUS e fortalece a pesquisa, criando condições para que o conhecimento produzido nas instituições sediadas no estado gerem impacto concreto na saúde da população.
O secretário Estadual de Saúde, Ronaldo Damião, destacou que o evento também celebra uma nova forma de gestão do Instituto Estadual do Cérebro, que passa a ser Fundação Paulo Niemeyer, com autonomia para gerir a Instituição. Damião relacionou várias decisões importantes da Secretaria, a pedido do governador, entre elas o repasse de recursos às secretarias de Saúde de todos os 92 municípios do estado para aprimorar o atendimento aos pacientes. Ele também destacou o fim das Organizações Sociais (OS) na saúde e o retorno da administração dos hospitais para a Secretaria Estadual de Saúde, além da revisão dos contratos, projetos e funcionários, a fim de otimizar a função da Secretaria sem comprometer os serviços prestados. “Nosso objetivo é reduzir os custos, como vem acontecendo em todas as secretarias, para que possamos entregar o estado de forma mais adequada aos novos que virão”, garantiu o secretário. Segundo Damião, entre as prioridades está a valorização do funcionalismo, não só na Saúde. Ele acrescentou que estão sendo retomados os concursos para os servidores. Outra prioridade da Secretaria é reduzir o tempo de espera para atendimento, contando com a telesaúde como aliada, como uma estratégia eficiente para reduzir a necessidade da presença do paciente no hospital. O secretário ainda falou da implantação do SUS Digital, que pretende integrar os prontuários de pacientes em todo o País.
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| Felipe Erlich: para o radio-oncologista do IECPN (de pé), a instalação do acelerador linear trará mais do que agilidade ao tratamento e resultará em maior qualidade no atendimento oferecido aos pacientes (Foto: Marcos Patricio) |
O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, destacou as qualidades do secretário Ronaldo Damião, que, segundo ele, foi uma indicação unânime quando ele buscou um nome para assumir a pasta da Saúde. “Essas mudanças foram idealizadas por ele, que tem total autonomia para implementá-las”, afirmou o governador. “Hoje é o momento da constatação de que o investimento no âmbito da Saúde traz um grande retorno. É fundamental investir em centros que, como o Instituto do Cérebro, têm a capacidade de atingir os seus objetivos, neste caso, um tema muito nobre, que é a saúde”, afirmou Couto. Segundo ele, a inauguração do novo equipamento e a justa homenagem ao Dr. Marcelo Reis é um recado para as próximas gerações do que deve ser buscado: a prestação adequada do serviço, não importando a atividade.
A cerimônia de inauguração contou com as presenças do Secretário de Estado do Gabinete do Governador, Marco Simões; da reitora da Uerj, Gulnar Azevedo e Silva; do presidente da Academia Nacional de Medicina, Antonio Egídio Nardi; do diretor do Hospital Pedro Ernesto, Rui Figueiredo; e dos familiares do Dr. Marcelo Reis, entre outros.
O Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer
As neoplasias (tumores) benignas ou malignas podem ser tratadas de três formas diferentes: por meio de cirurgia, quando é feita a retirada mecânica do tumor; por quimioterapia, através de drogas venosas ou comprimidos utilizados para frear ou tentar eliminar o crescimento do tumor; e/ou por radioterapia, que tenta controlar o crescimento ou destruir o tumor através de radiação ionizante. A radioterapia é feita com o uso do acelerador linear ou de um outro aparelho, o Gamma Knife, que trata o paciente por meio de partículas de cobalto.
“Cada equipamento tem a sua indicação. O Gamma Knife é um aparelho bem específico para tratar algumas condições. Às vezes, até mais tumores benignos do que malígnos, de uma forma muito pontual e muito específica. Mas ele tem uma limitação: ele não consegue tratar áreas maiores, tumores maiores ou os tumores primários do cérebro. Com acelerador linear, por sua vez, que é muito maleável, a gente consegue tratar desde uma coisa muito precisa, milimétrica, até tumores de 10 centímetros. Com ele, vamos ampliar muito a gama dos pacientes que serão tratados aqui”, explica o radio-oncologista, Felipe Erlich, médico do Instituto Estadual do Cérebro.
Com a instalação do novo equipamento, a equipe do IECPN vai agilizar o atendimento dos pacientes, que agora poderão fazer as sessões de radioterapia no próprio instituto, tão logo seja recomendável, de acordo com cada caso. Antes, sempre que havia indicação de radioterapia com um acelerador linear, os pacientes eram enviados para a Central de Regulação, e tinham que aguardar o encaminhamento para as clínicas que atendem o SUS. Como o tempo é um fator crucial, a possibilidade de antecipar as sessões de radioterapia trará um ganho importante. O tratamento radioterápico é feito por frações. De acordo com a necessidade do paciente, ele pode fazer apenas uma única aplicação, ou cinco, ou dez sessões. Quantas forem necessárias.
A expectativa da equipe do IECPN é de que sejam atendidos, em média, 40 novos pacientes a cada mês. “Antes o paciente era operado, poderia fazer quimioterapia aqui no Instituto, mas se fosse necessário fazer radioterapia com acelerador linear ele tinha que fazer fora. Isso poderia trazer uma perda não só de agilidade e de tempo, mas também de qualidade de tratamento. Agora, com o tratamento unificado no mesmo local, a gente consegue ter acesso a todo histórico do paciente, consegue conversar com o neurocirurgião, com o oncologista clínico, com patologista, com toda a equipe envolvida. Faltava a radioterapia nesse fluxo. Com a inauguração do acelerador linear, vamos poder tratar o paciente de uma forma integral. A situação dele será discutida nas reuniões clínicas multidisciplinares por todos os atores envolvidos, que vão tomar as decisões e tratar o paciente da melhor maneira possível”, explica Erlich.
Em meio ao tratamento dos pacientes, a equipe do IECPN utilizará o acelerador linear para fazer estudos e ensaios clínicos. Assim, além de ser usado com fins terapêuticos, o novo equipamento contribuirá também para a realização de pesquisas, que poderão aprimorar ainda mais os tratamentos oferecidos na unidade.