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Publicado em: 10/08/2026 | Atualizado em: 10/08/2026

Rio Innovation Week: Palco Transformar RJ recebe projetos de inovação com apoio da FAPERJ

Aline Salgado, Cris Cruz e Débora Motta

Palco Transformar RJ apresentou, no RIW, projetos desenvolvidos com apoio da FAPERJ e de outras instituições vinculadas à SECTI. A partir da esq., a diretora Científica da Fundação, Eliete Bouskela; o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião; o CEO da Iniciativa FIS, Rodrigo Vilar; e a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, no debate sobre Saúde 5.0 (Foto: Débora Motta)  

Dando visibilidade aos projetos de inovação desenvolvidos com fomento da FAPERJ, a Fundação participou, durante o 6º Rio Innovation Week (RIW), no Píer Mauá, do ciclo de debates no palco Transformar RJ. O espaço reuniu, de 4 a 7 de agosto, palestras sobre iniciativas apoiadas e desenvolvidas pelas instituições vinculadas à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), no Armazém 4. Ao longo da semana, especialistas e autoridades discutiram temas como a gestão dos desastres ambientais relacionados ao Super El Niño e a eficiência na gestão pública.

Outros destaques da programação foram os painéis "Saúde 5.0: como a tecnologia está transformando o cuidado com as pessoas"; "Saúde mental no esporte"; "Do laboratório ao mercado: dados, ciência e inovação conectando universidade e empresa"; "Rede Nanosaúde: desenvolvendo nanoprodutos para a saúde"; "Horizonte Europa: oportunidades de cooperação com a União Europeia"; "Programa PISTA: conectando territórios inovadores"; "Transformação Digital na Indústria Fluminense"; "Inteligência Artificial (IA) na prática: como startups estão resolvendo desafios municipais"; "Rede Dr. Empreendedor e o ecossistema Deep Tech no Rio"; "Dupla Hélice – Ciência e Negócios Construindo o Futuro"; além do painel "Alto desempenho com plataforma: como IA, Ciência de Dados e Nutrição estão redefinindo a formação de talentos no futebol".

Super El Niño: ações coordenadas para a gestão de desastres naturais

A necessidade de respostas rápidas e coordenadas entre Poder Público e sociedade para a prevenção e gestão dos desastres naturais relacionados ao El Niño estiveram em pauta na terça-feira, 4 de agosto. O coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Engenharia para Desastres (Ceped), do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Tharcisio Cotta, destacou que sociedade e governo precisam se adaptar à ocorrência de desastres climáticos mais intensos e frequentes, diante do fenômeno Super El Niño.

Cotta apresentou dois projetos de inovação tecnológica para a gestão de desastres naturais que vem desenvolvendo na Coppe/UFRJ, com apoio da FAPERJ. O primeiro é a Plataforma de Droneiros Voluntários, desenvolvida em 2024 para conectar pilotos de drones a órgãos públicos e à Defesa Civil e auxiliar em operações de resposta a desastres, mapeamento de áreas de risco e missões humanitárias. “A Plataforma de Droneiros já reúne 80 voluntários cadastrados, dispostos a colocar seus drones a serviço da gestão de catástrofes ambientais”, contou. O segundo projeto coordenado por ele é a Rede Refugia, plataforma digital e comunidade colaborativa desenvolvida para conectar migrantes, refugiados e organizações no Brasil. O sistema facilita a busca e oferta de apoio em áreas essenciais como trabalho, moradia, saúde e alimentação, promovendo a integração social e a autonomia em situações de crise.

Já o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar Gil Kempers compartilhou sua experiência como assessor-chefe de Redução de Risco de Desastres e Eventos Extremos, na Secretaria Estadual do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro (SEAS). “Precisamos ter resiliência para nos adaptar às mudanças climáticas e construir na sociedade brasileira uma cultura de prevenção de riscos. O Poder Público precisa apresentar respostas coordenadas e a sociedade também tem que estar atenta para aprender como proceder para minimizar problemas em situações de emergência, estar atenta aos avisos meteorológicos e rotas de fuga”, disse.

Governança, inovação e eficiência na gestão pública

Além dos debates sobre mudanças climáticas e gestão de desastres, a programação da FAPERJ no palco Transformar RJ também abriu espaço para discutir os desafios da administração pública. Especialistas defenderam que governança, controle e inovação são pilares fundamentais para tornar a gestão pública mais eficiente e ampliar a qualidade dos serviços oferecidos à população.

O debate reuniu a subsecretária de Administração e Finanças da Secretaria de Estado de Governo do Rio de Janeiro (Segov-RJ), Úrsula Bonomo Abelha; o secretário-geral da Presidência do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Marcelo Justino de Almeida; e o diretor-geral de Apoio Operacional do Detran-RJ, Hugo Carvalho. Durante o painel, os palestrantes destacaram a importância da modernização dos processos administrativos, da qualificação dos servidores e da adoção de boas práticas de gestão para fortalecer as políticas públicas e aprimorar os serviços prestados à sociedade. Também foram apresentados exemplos de inovação na gestão pública, como o programa SEGOVRJ Governança 360°, voltado ao fortalecimento da governança e da eficiência na administração estadual.

Projeto Nutri in Rio e eventos científicos como plataformas de inovação

A importância da realização das feiras científicas para difundir o conhecimento e movimentar o mercado foi o tema da palestra “Eventos científicos como plataformas de difusão, formação e inovação”, que apresentou o congresso Nutri in Rio (https://nutriinrio.com.br/). Organizado anualmente pelas nutricionistas Fatima Facuri e Ingrid Tardit, o congresso científico foi contemplado no edital Apoio à Organização de Eventos, da FAPERJ, e oferece atualizações acadêmicas e profissionais nas áreas de nutrição, saúde, esporte, estética, metabolismo e inovação. De 27 a 29 de agosto de 2027, será realizada a quarta edição do Nutri in Rio (Life Global Rio), no Riocentro.

Nutri in Rio, feira que coloca a cidade na agenda dos eventos internacionais na área de wellness e saúde, teve sua última edição realizada com apoio da FAPERJ. Na foto, as empreendedoras responsáveis pelo evento, Ingrid Tardit (esq.) e Fatima Facuri, ao lado da diretora de Administração e Finanças da Fundação, Luciana Lopes, ao centro (Foto: Débora Motta)   

“Queremos colocar o Rio na prateleira dos eventos internacionais na área de wellness, bem-estar e saúde. Esse edital da FAPERJ permitiu a organização de uma boa infraestrutura de estandes e palestras, que elevou o nível do evento. É quando a ciência sai dos livros e dos debates acadêmicos e se torna um encontro entre profissionais e estudantes, para orientar protocolos de bem-estar e saúde”, refletiu Fatima. “O Nutri in Rio promove o encontro entre o business e a ciência. O congresso permite uma construção temática que segue as tendências do mercado internacional”, completou Ingrid.

Kits forenses desenvolvidos para as Polícias Civil e Militar do RJ

No segundo dia da programação, o Palco Transformar RJ recebeu pesquisadores que têm ajudado as polícias Civil e Militar do estado a combater crimes. Professor do Instituto de Química da UFRJ (IQ), Claudio Cerqueira Lopes, contemplado no programa Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, mostrou ao público da RIW a variedade de kits forenses desenvolvidos em seu laboratório, grande parte deles usando a substância luminol.

Os testes têm ajudado peritos a desvendar homicídios, a coibir a comercialização de drogas, como maconha, cocaína e crack e, até mesmo, para a identificação de falsificação de óleo de cannabis. A novidade agora é que recentes pesquisas, desenvolvidas por estudantes de doutorado do IQ/UFRJ, têm expandido as aplicações do luminol para novas fronteiras. 

A doutoranda Ana Beatriz Alves Leal explicou que a substância pode ser usada para a detecção precoce de câncer colorretal, o mesmo que acometeu a cantora Preta Gil, que faleceu ano passado, aos 50 anos. “Mais de 90 mil pessoas no mundo morrem em decorrência de câncer colorretal. É uma doença que, quando descoberta, está em avançado estágio", destacou a jovem cientista.

Segundo ela, um kit desenvolvido no IQ/UFRJ à base de luminol promete ser mais eficaz que o teste imunoquímico fecal disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “O teste com luminol tem uma eficácia de detecção 40% maior que o do SUS. É um exame não invasivo que detecta sangue oculto nas fezes. Ainda estamos buscando um laboratório parceiro para produzi-lo em larga escala. Uma esperança para salvar muitas vidas”, afirmou a doutoranda.

Chamadas do Horizonte Europa: oportunidades de intercâmbio na Uniao Europeia

Pesquisadores e empreendedores que passavam pelo Armazém 4 também tiveram a oportunidade de ficar por dentro das chamadas do Horizonte Europa, programa de fomento à pesquisa e inovação da União Europeia (UE). O oficial de Políticas de CT&I da UE no Brasil, Dhallys Mota Nunes, trouxe ao público dados sobre essa cooperação que existe há décadas com o Brasil.

O Horizonte Europa é um programa com muitos recursos, mas que termina no próximo ano, em 2027. Segundo Dhallys, a boa notícia é que já está em fase de aprovação no Parlamento Europeu uma nova fase do programa, agora com recursos de mais de 170 bilhões de euros. "O maior programa de pesquisa e inovação da UE é aberto a países parceiros, como o Brasil. E conta com três pilares: Excelência em Ciência, Desafios Globais e Inovação. Há oportunidades de apoio a jovens cientistas, a pesquisadores seniors e até para empresas", informou Dhallys.

As oportunidades de mobilidade são bastante atrativas. As bolsas de Pós-Doutorado são da ordem de 6 mil euros por mês. Também existem programas de fomento às pesquisas disruptivas, para pesquisadores com pouca experiência ou muita. Os valores podem chegar até 10 milhões de euros. "Temos um caso muito interessante que mostra como as chamadas do Horizonte Europa estão abertas a diversas áreas. A UFF entrou com um projeto no campo de História sobre tráfego de escravos. Isso mostra que o fomento é para todos os campos", destacou.

Todas as oportunidades estão no portal https://commission.europa.eu/funding-and-tenders_en. Para obter mais informações ou esclarecer dúvidas, mensagens podem ser enviadas pelo e-mail: dhallys.mota-nunes@eeas.europa.eu

Agro fluminense também teve espaço no RIW

Apenas 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado do Rio de Janeiro é gerado pela atividade agrícola. De olho nesse cenário, a FAPERJ tem, nos últimos anos, reunido esforços para fomentar a agricultura fluminense. Por meio dos editais Indicações Geográficas e Agro, a Fundação tem contribuído com o fortalecimento de produtores familiares e com a cadeia do agronegócio.

A necessidade de ações coordenadas entre poder público e sociedade para a prevenção e gestão de desastres naturais, relacionados ao Super El Niño, foi tema de debate no palco Transformar RJ. A partir da esq., o assessor-chefe da SEAS, Gil Kempers; e o pesquisador da Coppe/UFRJ, Tharcisio Cotta (Foto: Débora Motta)

Para trazer ao público essas contribuições, a Fundação convidou para o Palco Transformar RJ o secretário de Agricultura de Campos dos Goytacazes, Almy Junior Cordeiro de Carvalho; o presidente da Associação de Produtores de Abacaxi do Norte-fluminense, Heraldo Meirelles Pessanha; a presidente da Associação de Produtores de Farinha de São Francisco de Itabapoana, Vanessa Ribeiro de Souza; e a mestre pelo Instituto Federal Fluminense (IFF) Thamires Siqueira Feira.

“O apoio da FAPERJ, por meio do edital Indicações Geográficas, foi fundamental para criar e fortalecer a associação de produtores de abacaxi. Esse suporte também nos levou ao contato com a Embrapa, que permitiu tocarmos um projeto de validação de novos cultivares de abacaxi”, revelou Heraldo Pessanha, contemplado no edital Agro do Futuro e, em duas edições, na chamada voltada a Indicações Geográficas. Segundo o produtor, a FAPERJ abriu portas também para uma parceria com a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf). Com o auxílio do programa Doutor Empreendedor, foi criado um laboratório para a produção de mudas de abacaxi. “Hoje, o estado do Rio de Janeiro está com toda a infraestrutura para ser um polo produtor de abacaxi", frisou Heraldo.

De São Francisco de Itabapoana, Vanessa é uma líder feminina na produção de farinha. Segundo ela, a certificação de Indicação Geográfica vai ajudar os produtores locais a alcançar novos mercados, além das fronteiras fluminenses. O depósito do pedido de registro de Indicação Geográfica foi efetuado junto ao INPI, e o processo está em andamento. Houve a entrega do Laudo de Delimitação da Área Geográfica de Produção, em janeiro de 2025. "A farinha de São Francisco de Itabapoana é mais do que um alimento, é um produto cultural", afirmou Vanessa, pontuando que quem ajudou a revelar esse valor foi a pesquisadora do IFF Thamires Feira. “A dissertação de mestrado de Thamires foi a base para avançarmos nessa etapa do processo de Indicação Geográfica", acrescentou Vanessa.

Para o secretário municipal de Agricultura de Campos, Almy Cordeiro, o fortalecimento do Agro fluminense é fundamental para a dinamização da economia do Estado. “Muito do que chega na mesa dos cariocas e dos fluminenses vem de fora do estado, e não do Rio. A farinha de São Francisco de Itabapoana tem 100 anos de história, assim como a goiabada de Campos e as produções leiteiras do Norte Fluminense. Precisamos valorizar os nossos pequenos produtores”, enfatizou Almy.

Medicina 5.0: o futuro do atendimento médico

As novas perspectivas que os avanços tecnológicos trazem ao atendimento médico foram tema da palestra "Medicina 5.0 – Como a tecnologia está transformando o cuidado com as pesssoas", na quinta-feira, 6 de agosto. Essa nova fase do cuidado médico relaciona-se ao uso da inteligência artificial, da big data e telemedicina, em uma abordagem humanizada e personalizada do paciente. Para discutir o tema, foram convidados o secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião, médico urologista; o CEO Rodrigo Vilar, da Iniciativa FIS, considerada o maior ecossistema de Liderança e Empresas da Saúde na América Latina; e a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, que é médica especialista em fisiologia cardiovascular e microcirculação.

“Muita gente pensa que Medicina 5.0 está relacionada apenas ao uso de equipamentos inovadores, mas esse conceito vai além. É uma política centrada no paciente, com cuidados como vacinação, diagnóstico precoce e atendimento centrado na empatia do médico com o paciente. Não há tecnologia que possa substituir o atendimento humanizado, disse Damião”

O oficial de Políticas de CT&I da União Europeia no Brasil, Dhallys Mota Nunes, falou sobre as oportunidades de bolsas de intercâmbio oferecidas pelo programa nas chamadas públicas do Horizonte Europa (Foto: Aline Salgado)

Uma das questões levantadas foi a necessidade de se adotar iniciativas e políticas adequadas e humanizadas, diante do crescente envelhecimento da população brasileira. Eliete citou uma frase atribuída ao médico Miguel Couto (1865-1934). “Ele dizia que não existe doença, existe doente. Cada pessoa reage de uma forma singular à doença e deve receber tratamento humanizado, especialmente na terceira idade”, disse.

Após a palestra, a presidente da FAPERJ, Caroline Alves, recebeu homenagem do coordenador-geral da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) Jovem, Luiz Andrade, que é professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), pelo apoio da Fundação à realização da 78ª Reunião Anual da entidade, realizada de 26 de julho a 1º de agosto, no campus da universidade, em Niterói.

Como submeter projetos à FAPERJ?

Fechando os debates, uma conferência conduzida pela diretora de Administração e Finanças da Fundação, Luciana Lopes, ajudou a esclarecer, diante de uma plateia de pesquisadores e empreendedores, dúvidas sobre “como submeter projetos à FAPERJ”. Ela detalhou os critérios exigidos nos editais públicos lançados pela Fundação para que uma boa ideia submetida seja aceita e venha a captar recursos para os proponentes interessados.

“Em primeiro lugar, é preciso transformar uma boa ideia em um problema público, em um projeto financiável, tendo clareza do problema proposto, aderência aos critérios estabelecidos no edital, demonstrando relevância ao estado do Rio de Janeiro, método de desenvolvimento consistente, viabilidade de execução, indicadores de resultado e indicando a geração de impactos científicos, sociais ou tecnológicos”, resumiu Luciana.

Ao longo de 2025, a FAPERJ lançou 46 editais, em todas as áreas do conhecimento, e contemplou 1.292 projetos em auxílios, com bolsas e apoio em infraestrutura, formação de pesquisadores, inovação e difusão científica.

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