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Publicado em: 03/09/2026 | Atualizado em: 03/09/2026

Museu Virtual de Instrumentos Musicais ganha projeção internacional

Paula Guatimosim

Na página incial do MVIM estão disponíveis informações sobre o museu, instrumentos, fabricantes e autores, artigos, concertos e vídeos, entre outras (Imagem: reprodução)

Criado com recursos de diferentes editais da FAPERJ, desde sua concepção, o Museu Virtual de Instrumentos Musicais (MVIM) ganha agora projeção internacional e passa a estabelecer um diálogo permanente com instituições museais brasileiras e internacionais, estimulando a troca de conhecimento, através de publicações e seminários.  A partir de setembro, a coordenadora do projeto, Adriana Ballesté, viaja para quatro diferentes países para apresentar o MVIM e estabelecer parcerias e intercâmbios.

Idealizado e desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o projeto recebeu apoio da FAPERJ desde a sua concepção, em 2011, até sua consolidação, a partir de 2018, quando contou com recursos do programa de Apoio à Produção e Divulgação das Artes no Estado do Rio de Janeiro, da FAPERJ, último edital voltado para a área de Humanidades. Em 2023, o projeto ganhou um livro, financiado por meio do edital de Apoio à Editoração, e com recursos do edital de Apoio à Organização de Eventos, promoveu o 61º Festival Villa-Lobos.

“Estou muito feliz com as conquistas ao longo desses 15 anos de existência do projeto MVIM, criado com o intuito de agregar instrumentos musicais de museus e instituições brasileiras, inspirado no Musical Instrument Museums Online (Mimo), que abarca hoje mais de 68 mil instrumentos. Para coroar o reconhecimento do projeto, fomos convidados a participar como palestrante na Assembleia Anual do Mimo”, comemora Adriana.

A pesquisadora embarca no próximo dia 9 para a Letônia, a fim de apresentar o MVIM na MIMO Annual General Meeting 2026 (Assembleia Geral Anual do Musical Instrument  Museums Online), atendendo a convite oficial da rede. Depois segue para Paris, onde fará parte de uma reunião de trabalho na Cité de la musique - Philharmonie de Paris com RodolpheBailly (Presidente do MIMO e Diretor de Bibliotecas e Arquivos), visando estabelecer cooperação bilateral entre o MVIM e a rede MIMO. Ela também fará uma visita técnica e uma reunião de trabalho no Institut de Recherche em Musicologie (IReMusLab) na Sorbonne Université para apresentação do MVIM e discussão de projetos conjuntos. De 22 a 24 de setembro, segue para Leicester e Londres, no Reino Unido, para uma reunião e apresentação na University of Leicester, com foco em oportunidades de cooperação no âmbito de projetos de pesquisa. Seu destino seguinte é Zaragoza, na Espanha, onde apresentará o trabalho científico interinstitucional "Migração da base de instrumentos musicais do MVIM para o Tainacan: interoperabilidade semântica e difusão", autoria da própria Adriana, em colaboração com Rodrigo Freire de Oliveira, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram); Cláudio José Silva Ribeiro, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio); e Dalton Lopes Martins, da  Universidade de Brasília (UNB) na 31st International Conference on Information and Documentation Systems (Ibersid), na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Zaragoza. Fechando a viagem, de 5 a 9 de outubro, Adriana participa do XV Seminário Hispano-Brasileiro de Pesquisa em Informação, Documentação e Sociedade (SHB) em Madri, para apresentação do trabalho “A atuação do Museu Virtual de Instrumentos Musicais na preservação, agregação e difusão de acervos de instrumentos musicais brasileiros”, elaborado em parceria internacional com Salomé Strauch (IReMusLab/Sorbonne Université).

Adriana Ballesté: para a pesquisadora, é importante integrar mais instrumentos musicais de diferentes museus e instituições em uma única plataforma acessível a todos (Foto: Pedro Struchiner)

“Além desse reconhecimento internacional, nosso projeto foi selecionado na Chamada Programa de Capacitação Institucional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o que vai permitir dar passos maiores em relação ao crescimento do acervo; à internacionalização; à interatividade e à divulgação da nossa cultura musical brasileira”, explica Adriana.

Concebido como um espaço dinâmico e em permanente expansão, o MVIM dedica-se à preservação da memória dos instrumentos musicais, fontes fundamentais para o entendimento da História da Música. Segundo Adriana Ballesté, doutora em Música pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), mestre em Sistemas e Computação e pesquisadora do Ibict, o objetivo agora, com apoio do CNPq,é buscar convergência com iniciativas nacionais e internacionais a partir de três eixos básicos.

O primeiro eixo busca incorporar acervos de outras instituições museais que possuem instrumentos musicais, estimulando a troca de conhecimento, através de publicações e seminários, a fim de fortalecer a capacidade científica, tecnológica e de inovação nos museus brasileiros. Outra meta é desenvolver a interoperabilidade entre o MVIM e outras instituições, como o portal “Brasiliana Museus”, uma plataforma online que conecta e disponibiliza o patrimônio dos museus brasileiros em um repositório acessível ao público, ampliando o alcance dos acervos para além das fronteiras físicas dos museus; assim como com o Musical Instruments Museums Online (Mimo), projeto colaborativo criado por um consórcio de 11 instituições europeias (liderado pela University of Edinburgh e coordenado a partir de centros como a Cité de la musique em Paris), com financiamento da Comissão Europeia, principal referência internacional nessa área. O projeto pretende, ainda, investigar, experimentar, desenvolver e incorporar ao MVIM tecnologias de inteligência artificial que permitam a simulação de conversas com músicos e luthiers virtuais, jogos interativos com simulações de áudio e imagem, ferramentas de criação personalizadas, como um palco virtual. 

Fruto de diálogo interdisciplinar entre as novas tecnologias, a Musicologia e a Museologia, o MVIM se consolidou como um espaço inovador de pesquisa e de troca de conhecimentos. A apresentação on-line e gratuita reúne uma enorme variedade de instrumentos musicais apresentados em fotos, acompanhados de informações detalhadas, áudios e vídeos. No catálogo há desde instrumentos populares brasileiros, como violões, cavaquinho e cuíca, até curiosidades como uma flauta asteca feita a partir de um osso humano (tíbia). 

As fichas catalográficas do acervo são separadas de acordo com a categoria (aerofones, cordofones, idiofones, membranofones) e reúnem os acervos do Museu Instrumental Delgado de Carvalho, sediado na Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); do Museu Villa-Lobos; e do Instituto Moreira Salles (IMS). Cada instrumento é acompanhado de ficha de identificação e dados gerais, informações sobre a procedência; descrição detalhada do item; observações e contextualização sobre o instrumento em geral; dados específicos do exemplar tais como a data de fabricação, autoria, local de fabricação, material; dados sobre restauração; notas gerais; registros audiovisuais; referências bibliográficas.

Com apoio do edital de Apoio à Editoração da FAPERJ, em 2023 também foi produzido o livro “Museu Virtual de Instrumentos Musicais: Espaço de convergência de acervos”, organizado por Adriana, Álea de Almeida e Ana Cristina Valentino. Além disso, no mesmo ano, foi organizado, com recursos do edital de Apoio à Organização de Eventos da Fundação, o 61º Festival Villa-Lobos que, ao longo de novembro, promoveu concertos de violão, violoncelo e piano, além de palestras e rodas de conversa sobre o patrimônio musical brasileiro.

Da esp. p/ a dir. a partir do alto: caraxá, naqqara, yueqin e flauta feita de tíbia estão entre os instrumentos catalogados nas quatro categorias (Fotos: reproduções do MVIM)

“Hoje, o MVIM é a única plataforma que reúne as coleções de instrumentos musicais do Brasil; no entanto, reúne apenas três museus cadastrados, o que não é representativo da diversidade das coleções dos museus de todo o país”, explica Adriana. Para ela, é importante integrar mais instrumentos musicais provenientes de diferentes museus e instituições brasileiras, a fim de promovê-los e reuni-los em uma única plataforma acessível a todos. Para isso, o MVIM pretende desenvolver uma plataforma que possibilite a interoperabilidade (quando diferentes sistemas, redes ou programas de computador trocam e usam informações de forma automática). Adriana destaca que a futura colaboração com o Mimo permitirá que o MVIM alcance um público internacional e contribua para a divulgação das coleções contidas em seu acervo nas pesquisas organológicas em todo o mundo. Do ponto de vista da inovação, o projeto permitirá que o MVIM se torne o primeiro museu brasileiro integrado ao MIMO, que hoje é a maior referência mundial em termos de coleções e classificações organológicas.

As perspectivas de utilização da inteligência artificial (IA) estão se consolidando e começam a transformar a gestão dos museus. Na prática, a inteligência artificial pode atuar diretamente na conservação, catalogação, indexação, pesquisa de acervos, reconstrução virtual de obras e na interação com o público. Diante disso, o projeto pretende estudar formas de implementar tais inovações, procurando elevar a experiência do usuário.

Integram a equipe do projeto Salomé Strauch, pesquisadora de pós-doutorado no Instituto de Pesquisa em Musicologia da Universidade de Sorbonne; Cláudio José Silva Ribeiro, doutor em Ciência da Informação pelo convênio Universidade Federal Fluminense/MCT-Ibict; Alexandre Costa, pesquisador do Ibict-MCTI, professor da Universidade Federal do Amazonas e professor colaborador da UniRio; Ronnie Fagundes de Brito, pesquisador do Ibict e doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento pela Universidade Federal de Santa Catarina; Ana Cristina Valentino, mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Ibict; Rodrigo Freire de Oliveira, do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), graduado em Biblioteconomia pela Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília (UnB); Flávio Rigoni Costa Moreira, músico instrumentista; e Dalton Lopes Martins, diretor da Faculdade de Ciência da Informação da Universidade de Brasília.

Para visitar o MVIM acesse http://mvim.ibict.br/ ou https://www.mvim.com.br/pt-br/.

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